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Era uma vez um homem que tinha um rádio tão pequeno, tão pequeno, que em vez de apanhar estações, apanhava apeadeiros.
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pela luta desigual | 08Jun2009 16:50:00

Conhecida pelas lutas constantes em tudo quanto é colóquio, pequenas cimeiras, chegando mesmo a mandar uns nervosos ataques aproveitando o facto de as televisões estarem a transmitir em directo para o jornal da tarde. A conhecida Maria Paula desde que chegou a presidente do partido da terra decidiu avançar com o projecto pela qual se entrega de corpo e alma: à nobre causa de pôr um fim ao racismo, à desigualdade de oportunidades, Sim aos valores humanos.

- Estamos no século XXI e é inaceitável que os homens sejam catalogados pela cor da pele!

Frases sentimentais, com alto teor de justiça a que, aliás, angolanos, moçambicanos, guineenses, mulatos, mestiços, cabritos, uniram-se numa votação recorde para eleger Maria Paula à presidência da junta de freguesia de Portuzelo, que daqui a nada, sabe lá alguém adivinhar o futuro, não poderá disputar o governo nas próximas eleições, e quiçá, matar a indiferença ao mundo.

O perfil de Maria Paula, em traços gerais direi que é uma mulher do povo, de braços levantados para o que der e vier, aquela que espera os operários à saída das fábricas, nos bairros problemáticos e, nas bentas dos manda-chuvas, de megafone em punho, aí vai mais um discurso sobre a humanização, valores sócio-culturais, numa desenfreada canseira para a igualdade de todos os homens na terra. Afinal de contas o ser-se branco preto ou mulato é pintar um Deus com todas as cores e torná-lo mais universal. A favor da pluralidade e inter-racialidade, dizendo sempre com orgulho que é branca por fora e negrinha por dentro, depois agita as ancas tal qual uma preta num merengue.

Em casa está com dois rapazes pequenos a crescer e uma rapariga bem crescida, Maria Paula sempre soube conciliar a família com a política, dando provas em entrevistas que tem África na voz.

Mas a sua filha mais velha já dá nas vistas lá no bairro e os sabidolas olham-na de outras maneiras, tentam adivinhar o que vai por debaixo dos decotes.

A Maria Paula tem agora outra luta, menor, é certo, mas que lhe dá uma data de preocupações, é que a serigaita já gosta de ir num bar, chegar a casa depois da meia-noite, esconder dos outros que a sua boca perdeu todo o seu batôn e vá-se lá imaginar porquê. Por muito que Maria Paula cante a democracia, tem os seus bichinhos na cabeça, ao suspeitar que a sua filha anda enrolada com alguém, quer-lhe controlar os passos, não vá ela aparecer com um filho na barriga, e imagine o que os outros poderão dizer, podendo em último caso arruinar-lhe o sonho de fazer carreira política. Só que a sua filha, agora que está provando a loucura da adolescência, parece que herdou a boémia do seu pai quando ele tinha vintes, ao ponto de Maria Paula, certa vez, dar-lhe forte na telha em seguir os passos da sua mais velha numa dessas sextas-feiras malucas. E assim foi. Maria Paula botou em cima do seu corpo branco uma roupa disfarçada, um modesto chapéu para não atrair muito as atenções. No bar de encontro, na esplanada, a uma distância de trinta passos, meia camuflada pelo seu vestido negro, a noite a dar uma boa ajuda à sua camuflagem, Maria Paula podia observar nitidamente a sua filha no meio de um grupo de jovens em que, eles, com umas tiradas picantes, punham seus braços marotos nas cinturas de duas ou três raparigas, enquanto elas sem se importarem, participavam na breca. Entre uma delas a filha da Maria Paula, que parecia gostar do clima, principalmente da forma com o Jesualdo, negro como carvão, rapaz sossegado, com uma esperteza para as matemáticas, a punha a fazer contas ao coração.

Ou por julgar que os rapazes queriam tomar as raparigas por lorpa, ou porque as reuniões de assembleia tomam-lhe muito tempo e tem a desculpa de não estar habituada a estas modernices, sem muito bem entender se aquelas trocas de mimos eram de amizade ou de algo mais, ainda assim, em jeito democrático, Maria Paula decidiu avançar para perto do grupo como se nada fosse, exibindo o seu ar desportivo, a sua confiança política ao rubro, dando um olá geral à rapaziada. Ao darem conta que aquela pessoa é a tal de quem se fala nos jornais, a nobre idealista, soltaram uns valentes elogios, pois estar ali cara a cara com a número das mulheres que fará história no mundo. Era uma sensação de levantar cabelos. Feitas as cerimónias de apresentações e felicitações, após a euforia amainar, a Maria Paula, como quem não quer a coisa, aproximou-se da sua filha, suavemente, com o seu sorriso afixado, que só ambas entendem o significado, com uma das mãos em pala sobre a boca, para que dela não se perceba uma única palavra, sussurou-lhe com ordenança aos ouvidos:

- Vê lá o que queres da tua vidinha, porque nem penses em meter um preto lá em casa, ouviste?!

E Maria Paula foi-se embora, despedindo-se da malta com uns ya mans e curtam bué.  E os brancos e os pretos aplaudiram longamente a mulher que um dia matará a desigualdade. Mas com palavras.

 



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. | 16Mai2009 14:30:00

Farto de ser o pateta, o bombo da festa, um quase figurante desta vida, se calhar o pneu subslente de um carro ou parafusinho duma grande máquina em movimento. Farto de ser segundo plano, o pior remunerado, palhaço à força, o que diz bom dia mesmo que o dia esteja mau. Ele avisou que um dia vai parar a fita com um grito, ai vai vai, deixar de vez a vida de cão, mostrar que existe, que o palco será dele, um palco só para ele, apurar a sua gargalhada, arranjar uma namoradinha para os intervalos das gravações.

Nos estúdios da Walt Disney não se falava de outra coisa. O Pateta vai começar a sua carreira a solo.



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trio odemira | 12Mai2009 14:30:00

O grupinho era sempre o mesmo: o Gaspar, o Gomes e o Berto, que bem podiam ser o três da vigairada, mas não, estes trio era um trio de ataque, mas não de futebol ou coisa que se pareça, estes três moinantes, desde que há conhecimento, sempre praticaram o chamado “encosto às raparigas”.
Eu defino: é colocar-se por detrás de uma mulher, bem encostadinho ao rabiosque dela, e deixar-se estar, deixar-se estar, feito lampião apagado.
Podem “actuar” nas feiras, na entrada do autocarro, numa greve, ou coisa que o valha, enfim, o que importa é que haja muita muita gente, nomeadamente, raparigas descomprometidas, que eles lá estão, os basófias, a dar ao zarelho, a encostar as suas carnes aos traseiros das raparigas como se não fosse nada com eles.

Mas é nas romarias, quando à noite a banda está a tocar ou quando se olha os foguetes no céu, que os seus sucessos aumentam e endurecem os seus paus como cajados. E deixam-se estar quietinhos para a presa não dar conta que alguém está tirando proveito da sua parte traseira e, ou prega-lhe um estalo ou vai-se embora sem dar o estalo.

Chegou a hora: a procissão a passar pelo meio da rua, com excentes de pessoas a assistir, dum lado e do outro da rua, e digam o que disserem, não existe melhor cenário do que este para o trio atacar e sentir, cada um à sua maneira, a carne fresca de umas nâdegas quaisquer.
É uma porcalhice incorrecta mas eles não estão nem aí, como diz a gente lá do brasil. É como a ressaca de um drogado, eles precisam deste alento para se sentirem vivos. Um fim de semana sem encostar, sem sentirem o cheiro delas bem perto dos seus narizes, óó, até a barraca abana.

O Gaspar, que já tem idade para tomar conta de netos, entretem-se a sentir o calor de uma jovem morena que na sua crença assiste à marcha do andor, dos barcos decorados com flores, sem que a inocente imagine que a pessoa que está coladinha a si, a fazer de conta que “tenho” me chegar para ver melhor, é um tarado sexual que não desgruda.

São tão depravados que nem com a nossa Senhora a ser levada por ombros, a dar a sensação que os está a topar, eles se medram. O Berto, esse, o que mais se arrisca, está mesmo coladinho a uma de trinta aninhos, pela aparência, a fantasiar-se todo, a sentir o coiso teso como um estandarte, cuja emoção é tanta que quase se lhe fecha a traqueia, e sufoca-se. Uma loucura, pensa ele. Menor sorte tem o Gomes, pois a sua fraca aparência, a mirolhice antiga, não lhe cabe arriscar muito e, como ele diz «ó pá é melhor do que nada», ter de ficar pelas cinquentonas e e. Normalmente o saldo de cada um é positivo, pelo menos a olhar pelas histórias que trazem na gaveta da imaginação. Quando se sentam no café do Licas, então é que é, derretem-se todos, falam de cus a torto e a direito, como se isso fosse de comer e encher a barriga.


São muito amigos, melhor, amissíssimos, por andarem sempre juntos parecem três putas à procura de emprego, protegendo-se uns aos outros. Andaram neste rock ene de anos sem que alguém por sombras adivinhasse, ainda por cima todos casadinhos, filhos que deram tropa, filhas quase dôtoras, quem é que lá ia suspeitar que o trio atacava por trás as moiras nas festas em honra aos santos padroeiros.


Agora são tão madurinhos na idade que mal se aguentam nas canetas, caminhando pelas ruas a três pernas, só peles caídas no queixo, rugas que indicam passados de alguns temporais, vozes trémulas, o esquecimento dentro e fora deles, as ruas cheias de gente, o comércio a fazer-se, as meninas sorridentes dos balcões, e eles, o “famoso” trio de ataque, no sempre mesmo banco de jardim, consumindo nostalgias ao minuto, pesando o céu e o inferno, uma mulher passa com um vestidinho apertado e largam pequenos uivos, faz ressuscitar memórias, do longe vem-se aproximando um grupo de jovens a distribuir panfletos sobre a liberdade sexual de cada um, a consciência gay, sejamos tolerantes, o Gaspar, que pelas mãos pecou, apanhou com essas mesmas mãos um desses panfletos, olhou e deu-o a olhar aos outros dois que, desde que acossados pela asma, têm Francisco Xavier como remédio, da asma e das suas velhices, esquecidos, porque notam que o tempo já não lhes pertence, depois de ler com atenção, suspiraram:

- Ele agora há cada um...

 



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como dizer deus em outra palavra? | 06Mai2009 22:40:00

Como dizer Deus em outra palavra?

Direi: poema!

Ao contrário das flores, os poemas não morrem

Vivem sem terra e sem gota de água,

basta um rosto mal esboçado, uma voz com pouca voltagem,

coração ao léu e imagina-se o resto do corpo

 

Deus é poema

e assim será o seu nome

porque o poema está para lá dos homens e das montanhas

uma vez imaginado é esperar pelas forças concêntricas

e que as palavras agitem os corações numa louca rotação

 

Milhões de braços para mudar uma palavra não basta

nem o amor é parvo ao ponto em pensar nisso



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ÀS VEZES SIM | 04Mai2009 15:00:00

A imaginação é um instrumento quando mal usado é perigoso assim como a forma como usamos as nossas mãos com os seus dedos: cumprimentar, disparar, apontar, escrever, etc.

Sei que a vida é uma película de filme alargado em anos e décadas. Sei que um monstro não se domestica facilmente. Pode-se, em todo o caso, escondê-lo debaixo de uma pele que por certo não será conferida.

Mas o monstro anda e vagueia, dorme e acorda todos os dias diante dos olhos do nosso sangue. O coração ali, batendo, batendo, como que recebendo ordens, sempre a trabalhar, sempre a manter-nos vivos. Agora imagina alguém que ama demais o coração de outrém e o queira como objecto macio nas palmas das mãos. Arrancar um coração é uma imagem brutal e animalesca.

Não se pode extrair o amor com violência. Mas pensar e imaginar é o bom que a liberdade tem. Um homem e uma mulher que se amavam felizes, com projectos a dois, histórias ao ouvido, calores na pele, um dia puff tudo acaba, a embalagem frágil, que é o amor, é violada e estraga-se em segundos a pintura de uma vida.

Sofrer é um pedaço de nós. Amar é um estômago que armazena carícias e beijos.

A mulher chora pelo dever feminino, seus olhos diminuem, enlouquecem, as chamas incêndeiam os lábios quando pensam um no outro. A noite é antiga como o silêncio das bruxas. Ambas existem, mas onde? Eu sei que as definições não nos levam a lado nenhum assim como a morte que se adia. Era um dia sereno, com os grilos a encher os ouvidos, a criançada com os seus catecismos juntos aos peitos, o homem persegue a que fora sua mulher, persegue-a porque sente que ainda a ama e o ciúme é um ser dominante.

quere-a de volta

Sem que ela desse conta, na primeira oportunidade, e o barulho da criançada a ficar para trás, muito para trás, ele não compreende que morrendo o amor morrem as palavras, o lugar ermo é perfeito para se fazer vítimas, agora sim, tenta-a dominar com a vantagem da sua força.

o amor pode ressuscitar, amar duas vezes a mesma mulher?

Ela grita, ela esperneia, ele levanta-lhe a saia, ela aperta as coxas, tenta a libertação, uma mão, um braço, um soco na testa dele, ele ferra-lhe no pescoço porque não a consegue beijar, deita-a no chão, mostra-lhe o pénis levantado, ela implora para que não não não, ele sorri como um boi em pasto, ela acalma-se, sabe que deve participar, ouviu dizer que nestes casos é melhor assim, a vida não se salva com pontapés, deixou por instantes o monstro entrar em si, depois disso foi só conseguir fechar os olhos, morrendo devagar por perdoar, só mais esta vez.

 



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PARTICIPE NESTE SITE | 31Mar2009 10:30:00

Quem quiser participar no site da Associação Às Artes, aqui vai o link:

www.as-artes.com

É fácil, basta inserir email, ir ao email e confirmar registo. depois ir ao site inserir do as-artes inserir de novo email (em painel de controlo) com a palavra passe recebida e colocar em artigos: textos, poemas, fotografias, videos, divulgar eventos, notícias,etc.

As vantagens em participar é que, o site as-artes é um klub e como tal, passa (e recebe)em vários canais, logo a visibilidade é grande.
depois porque estamos a construir uma família de autores, onde, anualmente, faremos uma seleção de poemas para organizar uma antologia.

esta participação neste site não concorre com luso poemas, nem sites do género, consideremos por assim dizer, uma outra casa onde os nossos poemas ganham janelas para vários lados.

irei actualizando a informação, tirando dúvidas qunato à utilização, assim como o próprio site que, tijolo a tijolo, se vai construindo.

é vantajosa toda e qualquer contribuição neste site, quer para o engrandecimento da associação quer para os seus associados que, com a participação geral, a tempo todos terão o seu troco. quer em participação numa revista quer em livro editado.

cumprimentos

p.s. em breve disponiblizarei uma ficha de inscrição para quem se quiser associar a esta associação e daí tirar os seus direitos e deveres.  

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MUSEU DE OLARIA apresenta: | 27Mar2009 13:50:00

 

MUSEU DE OLARIA apresenta   TEATRO DE MARIONETAS "A Lenda do Galo de Barcelos"   Por Roda:Mola   29.Março.2009 | 16:00h | Auditório do Museu de Olaria   Entrada: 2,15€ | Reserva antecipada de bilhetes | M. 3 anos  

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26.Março.2009 Museu de Olaria | 24Mar2009 14:30:00

  26.Março.2009

21:30h | Auditório do Museu de Olaria

MÚSICA |  Tuna de Veteranos de Viana do Castelo

Entrada: 3€ » Estudantes: 2€ » Sócios: gratuito 

 

 + Info em:

www.chadasquintas.blogspot.com     

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Tertúlia ás artes | 23Mar2009 20:00:00

No próxima sexta-feira, dia 27, em Barcelos, na freguesia das Carvalhas, terá lugar mais um encontro tertuliano da Associação Às Artes, dos seus associados e amigos.

Caso queira participar neste jantar de convívio faça-me chegar a sua vontade e marcação para o mail:
flaviolopesdasilva@sapo.pt

Desta vez a tertúlia (os poemas declamados por quem quiser) serão gravados para passar numa rádio local.

O custo do jantar é de 10 euros com poesia e boa disposição incluídos.
a pagar somente no final do jantar.

como sempre haverá um convidado especial e, outa coisa, mesmo que não queiram jantar, apareçam, há sempre mais um lugar!

p.s. não levamos ninguém a casa (eheheh)

 



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no museu de olaria - barcelos | 17Mar2009 22:40:00

BRINCAR NO MUSEU | FÉRIAS DA PÁSCOA   O Museu de Olaria vai realizar um Programa de Férias da Páscoa, destinado a todas as crianças e jovens com idades compreendidas entre os 6 aos 14 anos, que contempla Mini-Cursos e Ateliês Livres, de 31 de Março a 9 de Abril.2009.
Será, com certeza, uma forma lúdica e pedagógica de as crianças se divertirem durante as férias, dando formas à sua imaginação através da modelagem em barro e da pintura. As inscrições são limitadas.  

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Como se faz um poeta | 17Mar2009 21:20:00

Num poema nocturno

os pássaros caminham a pé

rumo ao mar das palavras

 

Entre o abismo e o deserto

um grão de luar espelha bêbadas sombras

- de nada lhes servem as asas –

 

Mas os pássaros não desistem

e peregrinam até ao verso final

alumiados por um coração-faroleiro.

 

Eu não sei como se faz um poeta

mas penso que tem algo a ver com céu, terra e mar

 



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19 de março em barcelos | 17Mar2009 13:00:00

 

 

 

19.Março.2009

21:30h | Auditório do Museu de Olaria

MÚSICA |  t.o.g. fest »  AZEVEDO SILVA e WALTER BENJAMIN

 

Entrada: 3€ » Estudantes: 2€ » Sócios: gratuito 

 

 + Info em:

www.chadasquintas.blogspot.com   

 



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LANÇAMENTO DE " Entre Margens de Afecto | 17Mar2009 10:50:00

 

 LANÇAMENTO DE " Entre Margens de Afectos"  NO CLUBE LITERÁRIO DO PORTO

  O Clube Literário do Porto tem o prazer de o convidar para o lançamento de Entre Margens de AFECTOS”, de Gabriela Silva e Aida Baptista, e pinturas de Manuel Martins, a ter lugar no Auditório do CLP, dia 19 de Março, pelas 21h30.   A apresentação será feita pelo Professor Ivo Machado, autor de Alguns Anos De Pastor (1981), Três Variações De Um Sonho (1995), O Homem Que Nunca Existiu (1997),  Cinco Cantos Com Lorca E Outros Poemas (1998), Nunca Outros Olhos Seus Olhos Viram (1998), Adágios De Benquerença (2001).
O prefácio é da autoria de Alzira Silva. 
 

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É preciso! | 14Mar2009 17:30:00

LUALUA.jpg

É preciso poemas em vez de luas

é preciso um cravo na lapela em vez da morte biográfica

é preciso cinco mil reis numa batalha de flores

cinco mil raparigas à espera de serem mães

e outras tantas à espera de serem filhas

 

É preciso um relógio com um cuco bem atinado

uma eléctrica emoção para nos acordar

um colchão com predicados de amor

um cântaro de fina sabedoria para beber

 

Uma casa bem ou mal decorada

mas uma casa vinte e quatro horas aberta

e nela me deite de olhos para baixo

e me lembre que o sal grosso não cura feridas

 

É preciso uma firme roldana a segurar o tempo

este tempo que mal levanta o tampo

um Deus do tamanho da aceitação

um diabo fácil muito fácil de subornar

um abismo para o que pouco nos importa

pois o que importa é inspirar e expirar o poema

 

É preciso cantar ainda que submersos

é preciso alguém mais do que ninguém

como um pedaço de carne para o estômago

precisamos de poemas à prova de fogo e água

uma nota de vinte para um santo é que não

Não é preciso contribuir para o banquete

para que amanhã haja de novo Sol

porque é a dor dos homens que puxa a claridade aos dias.

 



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escrevo-te | 11Mar2009 21:40:00

Escrevo-te com a ternura de uma criança ao nascer

com a mesma intensidade de um tronco a furar a terra

 

Escrevo-te porque estou de regresso

deixo para trás os silêncios apunhalados

assim como a escrivaninha que era meu leito preferido

 

Se diluires as sete luas a guache e carvão

encontrarás meu cadastro em pequenos versos

sem que no poema se note uma mancha de sangue

 

Escrevo-te com um olho aberto e outro fechado

na esperança de inventar uma raça à prova de tristeza

trabalhando a terra

de onde emergirá a Primavera

tão lúcido quanto a loucura iluminada

 

Alcançar assim desse jeito uma braçada de estrelas

a aproximação dos nossos corpos esquecidos

que a seu tempo lhes darei o pão e o ensinamento das palavras

 

Por saber que Grande poema é a noite e o mar que me detém

escrevo-te

Ainda que o meu sangue esteja cego e gasto.

 



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dia 12, de março, em braga | 10Mar2009 16:20:00

quinta-feira, no gato escaldado bar, eu, josé torres, armindo cerqueira e josé lourenço, numa sessão de poesia e outras dissertações.

apareçam! gato escaldado

 



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escuridão da noite | 10Mar2009 15:10:00

É no teu colo que a paisagem se torna maior
É no teu sorriso que a confraria busca ideias
É na toalha quente da noite que o poeta constrói seu palácio
É no embrião da noite que Jesus Cristo sobe a rua numa jangada

Mas, o que é o Ser se ele não é nem pode ser?
Que culpa têm os mortos de não poderem falar sobre as orquídeas cheirosas? Que profecia tem o Sol quando não nos enamora?
A verdade é apenas um utensílio que o poeta traz ao peito
Um fósforo capaz de acender sua chama debaixo d’água
Uma grua que faz a ponte entre-luas

É no verso da noite que o silêncio é contrabandista
É no som da espingarda que as rimas são fracas
É no paladar da cegonha que se adivinha mais um filho
É com a cabeça dentro do poço que se escuta o avanço do mar

Mas que adianta se a lua é uma bujiganga vista aos meus olhos?!
Ou se os dias cinzentos são apenas lugares comuns?!
A escuridão pode ser um elemento decorativo deste Teatro
Mas a noite não! A noite é um território a decidir! Os amantes que falem!

Quem quer comprar a noite repleta de poetas e malabaristas?
Quem partiu o dia em dois sabe que o amor não entra na contabilidade
Sabe que o Homem é mistura de várias cores primárias
Sabe que as curvas não se endireitam ou se se endireitam
É porque sobre a pele traçam-se rotas de fogo
É porque o arqueiro treina de noite e de dia a sua astúcia

Entendes o dialecto do cigarro quando se consome?
Não?! Então experimenta o salto para uma roseira
Com o delírio a juzante do pensamento
Reduz o céu a um lápis e a uma sebenta
E nela escreve a noite e a escuridão com a fome de quem padece
Com o grito que agora é já a mulher com quem te deitas
O berbequim como última penitência
A virgindade das raparigas extraídas num assobio de macho valente

É na poltrona matinal que o incerto desata o fardo
É na manha do esquilo que se monta o esquema lunar
É no prelúdio do beijo que o chão mais parece um tapete persa
É na neblina sedutora que abrimos o peito e tocamos a conga

Tenhamos a orquestra sempre a nosso lado
Bordemos o pano antes que a velha Esperança se deite a valer
Transporta o piano para o mar alto com o cuidado de uma parteira
E toca a noite e a escuridão dentro da mesma mortalha
Toca a fome e a sede na boca operária do poeta

Os bandidos também padecem de incertezas
Os umbilicais conduzem-nos à nascente
Ó que viagem tão peninsular és tu ó Noite!
Meu quartzo dependente! Minha esposa de trocar lamentos!
Quem diria que só o Sol é quem nos afasta...
Quem saberia falar de ti para além dos poetas malditos?!

O teu traje de luar mandaste-o fazer ao cabo do mundo
Os teus olhos de ameixas não há Egípcia que os copie
Tens um colo que eu reconheço pela intensidade do faro:
Após vida inteira a cheirar pétalas e pétalas
Ó escuridão que poema te hei-de eu dar senão estes trechos de bicho a espreitar a toca?
Que mania tem a sombra de se parecer com o seu proprietário?
Se a noite é uma mulher como lhe pegar na cintura?

É na multiplicação das aves que o teu véu se produz
É na história sem fim que o anel cabe no dedo e jamais de lá ele sai
É no redemoinho do vento que nos parecemos irmãos
É na fé das buganvilias que eu corro para te ver

Que seria da noite sem a escuridão?
Que ilusionista tira o céu de uma cartola?
É justo não haver justiça
Senão o que seria dos que se amam às escondidas?

Ó noite posso perder toda a força mas o teu cântico não!
Posso enterrar todos os vícios mas a tua vontade sobrevive!
Talvez o absolustismo seja a tua veia solene
Talvez a estrela maior seja o nosso apartado
Quando às sete da manhã te vais a âncora toca no fundo

A noite é um grande cinema em que as cabeças estão duas a duas
É a loja sempre aberta onde o porteiro é um anjo pouco decidido
É o grevista que nos acompanha para todo o lado

Ó noite de famas glórias Que partido é o teu senão o nosso?
Quem te pôs escamas no dorso para que brilhes ainda mais?
Quero-te toda em versos a meu lado
Quero inventar-te um vestido com a saliva que me resta
Quero arranjar um prego que nos unifique sem magoar
Porque tu nunca me sobras Nem com lábio descaído
Não te derretes Nem com a voltagem do grito
Ó noite de várias comungações!
Ó fruto escolhido da escuridão!
É de ti o meu agrado A alucinante navalha que risco Liberdade
As papoulas que me salvam da fome do jantar

Sempre que o mundo se afasta ficamos mais unidos
Tocamos a corneta e os pássaros logo vêm À gruta do nosso sossego
Que é este nosso coração nocturno De sedas revestido

Que seria da noite sem a escuridão?
Que fato Deus mandaria fazer senão este que ela tem?
Que ovário pariria a sua luz de Natividade?
Confesso que à noite passeio pelo bosque do meu pensamento
Que desligo o cérebro e canto ao ritmo da nascente

Sou uno no meu relógio visceral
Um migrante do quarto para o pátio e do pátio para o curral
Sabes porquê ó flor do meu comércio?

Porque a noite é o espelho em que me demoro E retoco a farsa para o dia de amanhã
É o vinho que o taberneiro diz sempre que não há
É a mãe-preta que se preocupa se eu já inventei o amor
E que me põe o dedal para escrever assim
Que me põe a sorrir tal a perdiz que se escapou
E me deixa feito cisne a luzir na escuridão da noite!

 



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aguardo resposta | 06Mar2009 20:10:00

 

É possível todas as crenças e raças numa só paleta
e pintar um Deus à maneira
sem lhe causar uma única lágrima?

É possível um diálogo com uma maçã às sete em ponto da manhã?

É possível converter um filho-da-mãe em algo espiritual?
Das tripas fazer-se uma harpa?
Do orvalho uma relíquia?

p.s. aguardo resposta perdido na luz achado no escuro.

 



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